Ciências e Tecnologia, Temas relacionados à Biologia, Curiosidades, Atividades de Classe e Extraclasse
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
domingo, 24 de outubro de 2010
Benefícios dos exercícios físicos
Veja como as partes do corpo se beneficiam com a prática de atividades físicas.
- Cérebro: proporciona sensação de bem estar. Melhora a auto-estima. Reduz sintomas depressivos e ansiosos. Melhora o controle do apetite.
Como funciona: a atividade física estimula a liberação de substâncias que "melhoram" o funcionamento do sistema nervoso central. - Nariz e Garganta: reduz a ocorrências de gripes, resfriados e infecções respiratórias em geral.
Como funciona: a atividade física estimula a produção de alguns aminoácidos (componentes das proteínas) que melhoram a ação protetora do sistema imunológico. - Pulmões: melhora a capacidade pulmonar. Aumenta a capacidade de consumo de oxigênio.
Como funciona: a atividade física aumenta a rede de pequenos vasos que irrigam os alvéolos pulmonares (estruturas de troca de gases), melhorando o aproveitamento de oxigênio pelo pulmão. Desse modo, a respiração fica mais eficiente. - Coração: melhora o funcionamento do coração (para um mesmo esforço, o trabalho cardíaco passa a ser menor). Aumenta a resistência aos esforços físicos e ao estresse Reduz doenças cardíacas (angina, infarto, arritmias, insuficiência etc.). Aumenta a sobrevida até mesmo nas pessoas que já tiveram um infarto.
Como funciona: estimula uma melhor vascularização (aumento da irrigação de sangue para o próprio coração), o que garante melhor funcionamento do órgão. Reduz fatores de risco para artérias coronárias - como pressão arterial e colesterol. - Barriga: facilita a perda de peso ou a manutenção do peso desejado Combate a obesidade.
Como funciona: reduz a gordura e aumenta a massa muscular. O músculo é um tecido muito ativo, que ajuda no maior consumo de calorias ao longo do dia. - Pâncreas: facilita o controle do diabetes.
Como funciona: diminui a resistência à ação da insulina (hormônio que facilita a entrada de glicose nas células), favorecendo um melhor controle dos níveis de açúcar no sangue. - Pernas: diminui edemas, varizes e o risco de trombose.
Como funciona: aumenta a pressão dos músculos sobre as veias das pernas. Funciona como uma espécie de bomba, que ajuda o sangue a vencer a força da gravidade e voltar mais facilmente para o coração. - Vasos Sangüíneos: reduz obstruções nas paredes dos vasos, diminuindo problemas como aterosclerose (placas de gordura), " derrames cerebrais" e infartos.
Como funciona: reduz as taxas de colesterol total e eleva o HDL (colesterol "bom"), que protege contra a formação de placas de gordura nas artérias. Combate a hipertensão, reduzindo os níveis de pressão arterial. - Músculos: fortalece a massa muscular. Aumenta a flexibilidade.
Como funciona: a atividade estimula o desenvolvimento das fibras musculares que compõem os diversos músculos do corpo. - Ossos: reduz os riscos de osteoporose (enfraquecimento dos ossos) e fraturas na velhice.
Como funciona: estimula a proliferação dos chamados osteoblastos (células que contribuem para o crescimento do tecido ósseo).
Fonte: MinhaVida
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
Evidências sobre universo paralelo podem surgir em breve, dizem cientistas do Cern
Folha.com - Ciência
20/10/2010 - 15h24 - DA REUTERS
Os físicos que investigam a origem do universo esperam ter, no ano que vem, as primeiras provas da existência de conceitos caros aos escritores de ficção científica, como mundos ocultos e dimensões extras.
Acelerador de partículas na Suíça registra fenômeno inédito em colisões de prótons
Sistema Solar fica centenas de milhares de anos mais velho
À medida que o Grande Colisor de Hádrons (LHC) do Cern, nas proximidades de Genebra, na Suíça, opera com uma força maior, eles falam cada vez mais sobre uma "Nova Física" no horizonte, que poderia mudar por completo os pontos de vista atuais sobre o universo e o seu funcionamento.
"Universos paralelos, formas desconhecidas de matéria, dimensões extras... Isso não é coisa de ficção científica barata, mas teoria física muito concreta que os cientistas tentam confirmar com o LHC e outros experimentos."
Isso foi o que escreveram os integrantes do Grupo de Teoria do centro internacional de pesquisa no boletim direcionado aos funcionários do Cern este mês.
Enquanto as partículas se chocam no vasto complexo subterrâneo do LHC a energias cada vez maiores, os "extra bits do universo" --se é que eles existem como o previsto-- poderão ser vistos no computador, afirmam os teóricos.
O otimismo é crescente entre as centenas de cientistas que trabalham no Cern, ao longo da fronteira entre França e Suíça, numa experiência de US$ 10 bilhões, que inicialmente apresentou problemas, mas este ano vem cumprindo suas metas.
COLISÃO DE PRÓTONS
Em meados de outubro, disse o diretor-geral Rolf Heuer à equipe no último fim de semana, os prótons eram colididos ao longo do anel subterrâneo de 27 quilômetros a uma taxa de 5 milhões por segundo --duas semanas antes da data prevista para esse número.
No ano que vem, as colisões ocorrerão --se tudo continuar seguindo bem-- a uma taxa que produzirá o que os físicos chamam de "femtobarn inverso", mais bem descrito como uma quantidade colossal de informações para a avaliação dos analistas.
As colisões recriam o que aconteceu numa minúscula fração de segundo após o "Big Bang" primordial, 13,7 bilhões de anos atrás, que gerou o universo que conhecemos hoje e tudo o que ele contém.
Depois de séculos de observações cada vez mais sofisticadas da Terra, apenas 4% do universo é conhecido --porque o restante é formado pelo que tem sido chamado de matéria escura e energia escura (porque são invisíveis).
20/10/2010 - 15h24 - DA REUTERS
Os físicos que investigam a origem do universo esperam ter, no ano que vem, as primeiras provas da existência de conceitos caros aos escritores de ficção científica, como mundos ocultos e dimensões extras.
Acelerador de partículas na Suíça registra fenômeno inédito em colisões de prótons
Sistema Solar fica centenas de milhares de anos mais velho
À medida que o Grande Colisor de Hádrons (LHC) do Cern, nas proximidades de Genebra, na Suíça, opera com uma força maior, eles falam cada vez mais sobre uma "Nova Física" no horizonte, que poderia mudar por completo os pontos de vista atuais sobre o universo e o seu funcionamento.
"Universos paralelos, formas desconhecidas de matéria, dimensões extras... Isso não é coisa de ficção científica barata, mas teoria física muito concreta que os cientistas tentam confirmar com o LHC e outros experimentos."
Isso foi o que escreveram os integrantes do Grupo de Teoria do centro internacional de pesquisa no boletim direcionado aos funcionários do Cern este mês.
Enquanto as partículas se chocam no vasto complexo subterrâneo do LHC a energias cada vez maiores, os "extra bits do universo" --se é que eles existem como o previsto-- poderão ser vistos no computador, afirmam os teóricos.
O otimismo é crescente entre as centenas de cientistas que trabalham no Cern, ao longo da fronteira entre França e Suíça, numa experiência de US$ 10 bilhões, que inicialmente apresentou problemas, mas este ano vem cumprindo suas metas.
COLISÃO DE PRÓTONS
Em meados de outubro, disse o diretor-geral Rolf Heuer à equipe no último fim de semana, os prótons eram colididos ao longo do anel subterrâneo de 27 quilômetros a uma taxa de 5 milhões por segundo --duas semanas antes da data prevista para esse número.
No ano que vem, as colisões ocorrerão --se tudo continuar seguindo bem-- a uma taxa que produzirá o que os físicos chamam de "femtobarn inverso", mais bem descrito como uma quantidade colossal de informações para a avaliação dos analistas.
As colisões recriam o que aconteceu numa minúscula fração de segundo após o "Big Bang" primordial, 13,7 bilhões de anos atrás, que gerou o universo que conhecemos hoje e tudo o que ele contém.
Depois de séculos de observações cada vez mais sofisticadas da Terra, apenas 4% do universo é conhecido --porque o restante é formado pelo que tem sido chamado de matéria escura e energia escura (porque são invisíveis).
Nasa fotografa momento em que supermancha solar lança labaredas no espaço
21/10/2010 - 16h26 Folha.com - Ciência
A agência espacial norte-americana (Nasa) divulgou nesta quinta-feira em seu site a imagem da supermancha solar batizada de 1112, no exato momento em que lançava labaredas no espaço.
Até hoje, nenhuma explosão produziu uma ejeção expressiva de massa coronal (partículas de altas energias) em direção ao planeta Terra.
Outro dado importante é a existência de um grande filamento magnético cortando o hemisfério sul do Sol. Ele é tão extenso, que ultrapassa a distância que separa a Terra da Lua cerca de 380 mil quilômetros.
É possível identificar um ponto brilhante um pouco acima do filamento a radiação ultravioleta da supermancha solar. Se ocorresse uma explosão, toda a estrutura entraria em erupção.
A agência espacial norte-americana (Nasa) divulgou nesta quinta-feira em seu site a imagem da supermancha solar batizada de 1112, no exato momento em que lançava labaredas no espaço.
Até hoje, nenhuma explosão produziu uma ejeção expressiva de massa coronal (partículas de altas energias) em direção ao planeta Terra.
Outro dado importante é a existência de um grande filamento magnético cortando o hemisfério sul do Sol. Ele é tão extenso, que ultrapassa a distância que separa a Terra da Lua cerca de 380 mil quilômetros.
É possível identificar um ponto brilhante um pouco acima do filamento a radiação ultravioleta da supermancha solar. Se ocorresse uma explosão, toda a estrutura entraria em erupção.
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Pesquisadores da Universidade de Oxford revelam quanto custa o amor
15/09/2010 - 17h47 | da Folha.com
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Apaixonar-se por outra pessoa tem um custo equivalente à perda de dois amigos próximos, em média, diz pesquisa feita pelo Instituto de Antropologia Cognitiva e Evolucionária da Universidade de Oxford, na Inglaterra, publicada no jornal britânico "The Guardian".Pesquisadores estudam a ciência da fidelidade
Amor em Londres é tão raro quanto encontrar aliens, indica cálculo
Felicidade custa R$ 11 mil por mês, aponta estudo
O estudo, liderado por Robin Dunbar, identificou que a chegada de um novo parceiro deixa o casal com um menor círculo de amigos ao qual possa recorrer em momentos de crises, mas não há diferenças entre homens e mulheres --os dois igualmente perdem amigos quando começam um relacionamento.
| SXC |
![]() |
| Pesquisa sugere que relacionamentos com a família e os melhores amigos são prejudicados durante namoro |
O objetivo era investigar como as pessoas dividem suas horas e sugere que os relacionamentos com a família e os melhores amigos são prejudicados quando se inicia um namoro.
Na sondagem de Dunbar e seu grupo, foram classificados cinco tipos de relacionamento --pessoas com quem contar para falar sobre problemas financeiros ou emocionais -- a partir de um questionário respondido, pela internet, por 428 mulheres e 112 homens.
"Os entrevistados que estavam namorando, ao invés de terem os cinco tipos de relacionamento, só tinham quatro no 'placar final'", diz Dunbar. "Foi uma surpresa para nós. Não esperávamos esse resultado."
O pesquisador acrescenta: "Se você não encontra as pessoas, seu compromisso emocional com elas acaba, e rápido. Suspeito que a atenção esteja tão focada no parceiro romântico, que você não vê mais os demais com quem tinha afinidade, e os relacionamentos começam a deteriorar."
QUANTO MAIS MELHOR
A pesquisa também se estendeu ao Facebook para avaliar a forma como homens e mulheres mantêm amizades na rede social.
Descobriu-se que as mulheres têm, com mais frequência, mais amizades com pessoas que veem todos os dias. Já os homens tendem a reunir a maior quantidade de amigos possível, mesmo que nem os conheça direito.
"Os garotos parecem estar em uma competição para ver quem pode ter mais amigos no Facebook, o que poderia ser uma forma de publicidade masculina. Uma das menções feitas pelas mulheres para avaliar a qualidade masculina é o número de outras garotas que estão atrás deles. Logo, permitir várias mulheres no Facebook como amigas parece ser uma boa ideia", pensa Dunbar.
Segundo maior bioma brasileiro, Cerrado corre risco de desaparecer
15/09/2010 - 17h54 | do UOL Ciência e Saúde
O Cerrado é o segundo maior bioma brasileiro, localizado em uma grande área do Brasil Central. Por fazer fronteira com outros importantes biomas, (a Amazônia ao norte, a Caatinga a nordeste, o Pantanal a sudoeste e a Mata Atlântica a sudeste) a fauna e flora do Cerrado são extremamente ricas.
Dados levantados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram que o Cerrado teve sua cobertura vegetal reduzida a quase metade, de 2.038.953 km² para 1.052.708 km² nos últimos anos.
Segundo o grupo Conservação Internacional Brasil (CI-Brasil), o Cerrado conta com mais de 10.000 espécies vegetais, uma grande variedade de vertebrados terrestres e aquáticos e um elevado número de invertebrados.
Espécies ameaçadas como a onça-pintada, o tatu-canastra, o lobo-guará, a águia-cinzenta e o cachorro-do-mato-vinagre, entre muitas outras, ainda têm populações significativas no Cerrado, reafirmando sua importância como ambiente natural.
A ameaça ao bioma começou a partir dos anos de 1970, quando o Cerrado tornou-se a principal área de produção de grãos no país, o que trouxe ganhos econômicos ao país e um grande passivo ambiental, pela introdução de espécies invasoras, uso de agroquímicos e emissão de gases de efeito estufa.
Os incêndios naturais fazem parte da dinâmica do Cerrado, mas o uso indiscriminado do fogo na expansão de áreas agrícola e pastoril, aliado à extração de madeira e carvão vegetal, constituem causas determinantes do desmatamento no Cerrado, segundo o IBGE.
* Com informações da CI-Brasil
Da Redação
Em São Paulo
Em São Paulo
Leonardo Wen/Folhapress
O Cerrado é o segundo maior bioma brasileiro, localizado em uma grande área do Brasil Central. Por fazer fronteira com outros importantes biomas, (a Amazônia ao norte, a Caatinga a nordeste, o Pantanal a sudoeste e a Mata Atlântica a sudeste) a fauna e flora do Cerrado são extremamente ricas.Dados levantados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram que o Cerrado teve sua cobertura vegetal reduzida a quase metade, de 2.038.953 km² para 1.052.708 km² nos últimos anos.
Segundo o grupo Conservação Internacional Brasil (CI-Brasil), o Cerrado conta com mais de 10.000 espécies vegetais, uma grande variedade de vertebrados terrestres e aquáticos e um elevado número de invertebrados.
Espécies ameaçadas como a onça-pintada, o tatu-canastra, o lobo-guará, a águia-cinzenta e o cachorro-do-mato-vinagre, entre muitas outras, ainda têm populações significativas no Cerrado, reafirmando sua importância como ambiente natural.
Risco de desaparecer
Estudos realizados pelos pesquisadores do Programa Cerrado da CI-Brasil indicam que o bioma corre o risco de desaparecer até 2030, já que o desmatamento chega a 1,5% ou três milhões de hectares/ano. Isso equivale a 2,6 campos de futebol/minuto.A ameaça ao bioma começou a partir dos anos de 1970, quando o Cerrado tornou-se a principal área de produção de grãos no país, o que trouxe ganhos econômicos ao país e um grande passivo ambiental, pela introdução de espécies invasoras, uso de agroquímicos e emissão de gases de efeito estufa.
Os incêndios naturais fazem parte da dinâmica do Cerrado, mas o uso indiscriminado do fogo na expansão de áreas agrícola e pastoril, aliado à extração de madeira e carvão vegetal, constituem causas determinantes do desmatamento no Cerrado, segundo o IBGE.
* Com informações da CI-Brasil
Gatos selvagens caçam imitando os sons de suas presas
14/09/2010 - 16h58 | do UOL Ciência e Saúde
Em uma manhã ensolarada de outubro, o Dr. Fabiano Calleia, pesquisador da Universidade Federal do Amazonas, andava pela floresta de várzea em Manaus observando seu grupo habitual de oito saguis, enquanto esses pequenos macacos escuros de gestos elegantes atacavam os frutos de uma figueira.
De repente, a paz do café da manhã foi quebrada pelo som característico do choro de um filhote de sagui - uma série de assobios curtos e agudos, como o apito de uma chaleira fervendo, que lembra os sons de um código Morse. Um sagui macho subia e descia de uma árvore, tentando em vão localizar a origem do som. O ruído continuou e outros macacos começaram a ficar irritados. Nesse momento, Calleia percebeu espantado que os gritos não eram provenientes de um filhote de sagui, mas de um gato maracajá, que se parece com a jaguatirica, de olhos e patas grandes e apetite por carne de macaco.
O gato maracajá se esgueirou na mata simulando sons de símio e partiu em direção aos saguis. O gato saltou, um macaco sentinela gritou e todo o bando escapou ileso.
Ao retornar ao acampamento, Calleia relatou o episódio ao Dr. Fabio Rohe, responsável pelo programa WCS-Brasil (Wildlife Conservation Society - Brasil) na Amazônia, que imediatamente lembrou o que os habitantes locais haviam dito: o maracajá e outros gatos selvagens caçam imitando os sons de suas presas.
"Eu disse que o som se comparava ao de macacos usando ferramentas! Vamos escrever alguma coisa ", lembrou Rohe em uma entrevista por email. "Assim, logo começamos a escrever!"
Os cientistas publicaram sua descrição da primeira "observação oficial de campo do comportamento de mímica do gato maracajá" na revista “Neotropical Primates” no ano passado, mas só agora o artigo tem circulado entre os pesquisadores de campo.
O relatório é apenas um exemplo de uma série de descobertas recentes de casos de imitação. Este trunfo de puro entretenimento valoriza os originais em que se baseia. A imitação pode ser a forma mais sincera de lisonja, a forma mais grave de agressão ou a estratégia mais estranha de sobrevivência. Se você pensa que não há nada novo acontecendo, você pode estar certo. Mas lembre-se que a imitação é uma máquina de novidades permanente da natureza.
Por exemplo: os cientistas desvendaram que em algumas espécies de formigas a rainha é uma percussionista consumada, munida de um órgão minúsculo e afiado, que toca as fanfarras reais para manter seus trabalhadores na linha. Quem imaginava que a rainha pudesse ser esta caixa de som? Seus parasitas deviam saber com certeza.
Também foram encontradas larvas parasitas de borboletas na colônia, as quais utilizam seus músculos abdominais ou outras partes do corpo para imitar os ruídos da rainha. Um ato de pirataria musical, que induz as formigas operárias a vibrar e regurgitar o alimento diretamente na boca dos parasitas.
Descobriu-se que baratas alemãs de ambos os sexos imitam o cheiro e a sensação de baratas adultas do sexo feminino, enganando os machos adultos, que abrem suas asas e expõem suas reservas escondidas de açúcar de maltose, proteínas e gorduras. Os machos sintetizam as secreções como um presente para cortejar as companheiras, mas as baratas ninfas, com suas mandíbulas doces, evoluíram os meios físicos e químicos de manipulação.
Segundo Coby Schal, professor de entomologia da Universidade Estadual da Carolina do Norte, o mimetismo dentro das espécies é raro na natureza. Recentemente, ele e seus colegas publicaram um artigo no site “Animal Behaviour” sobre uma estratégia que batizaram de assédio na prisão. Ele afirma que "os seres humanos fornecem às baratas o tipo de ecologia artificial que gera comportamentos realmente incomuns.
"Suprimentos irregulares, acesso insuficiente ao solo e ao nitrogênio.Não é de se admirar que as baratas jovens aprendam a trapacear.
Talvez o caso mais notável de mimetismo ocorrido recentemente é o do polvo mímico da Indonésia, com tantos truques de mudança de cor e de forma à sua disposição, que nem oito mãos conseguem segurá-lo.
Um relatório publicado este mês na revista “Biological Journal”, da Linnean Society, apresenta a história da evolução do Thaumoctopus mimicus, um molusco marinho descoberto há apenas doze anos.
Assim como outros polvos, o T.mimicus pode usar seu sistema nervoso para mudar instantaneamente de cor, criando padrões perfeitos de papel de parede. Porém, diferentemente da maioria dos polvos, o mímico opta por se tornar mais visível aos predadores em potencial.
Caso precise aventurar-se em águas perigosas, ele assume um disfarce ameaçador adequado ao contexto. Antes de sair nadando do fundo do mar, o polvo se arrepia e sua pele torna-se listrada, seu corpo e seus tentáculos tomam uma forma espinhosa, fazendo-se parecer com um tóxico peixe leão. Para deslizar pelo fundo do mar, o polvo deixa sua pele bege e esburacada, comprime o corpo, puxa seus membros para o lado: é um linguado, ondulando as barbatanas, olhando para baixo com seus olhos no alto da cabeça.
"Quando é perseguido por um peixe-donzela, ele transforma um de seus tentáculos em uma serpente do mar, seguindo seu padrão e contraste de cores. Além disso, ele incha a ponta do tentáculo para que se pareça com a cabeça da cobra", ilustra o Dr. Healy Hamilton, especialista em biodiversidade e informatização da Academia de Ciências da Califórnia e autor do relatório. "Serpentes do mar são predadores vorazes de peixes-donzela."
As imitações do polvo não são perfeitas, e nem precisam ser. “Se o predador parar por um instante, o polvo pode arremessar sua tinta e se afastar rapidamente”, diz ele.
Nós, humanos, também temos nossas pequenas doses de mimetismo. Ninguém quer ser ridicularizado ostensivamente ou trapaceado. As mímicas físicas, como a dos palhaços, são extremamente populares. No entanto, os psicólogos têm apreciado a profunda importância do mimetismo inconsciente, o qual nos faz sentir amados e valorizados ou simplesmente suavizam nossas tarefas cotidianas.
Sem perceber, quando conversamos com os amigos, combinamos nosso ritmo e tom de voz ao deles, adotamos postura similar e até mesmo imitamos os seus tiques. Estudos têm mostrado que quando os estudantes são instruídos a trabalhar em grupo com alguém que não para de mexer no cabelo ou tremer o pé, em seguida eles começam a reproduzir os mesmos gestos.
Os garçons que repetem os pedidos de seus clientes palavra por palavra ou que imitam sutilmente sua linguagem corporal recebem gorjetas melhores do que os garçons que resumem os pedidos ou desprezam sua fala corporal.
O laboratório do Dr. Rick van Baaren na Universidade de Radboud, na Holanda, descobriu recentemente que, em indivíduos que foram forçados a conviver com alguém instruído a evitar todas as formas de imitação verbal e comportamental os níveis de cortisol aumentaram. Foram necessárias repetidas mímicas para fazer suas taxas hormonais voltarem ao normal."Acredito que o efeito negativo de não ser imitado é até mais forte do que o efeito positivo de ser imitado", explica van Baaren.
A não ser que você seja um gato maracajá e acredite que sou um macaco.
Por Natalie Angier
The New York Times
Claudia Lindenmeyer
The New York Times
Claudia Lindenmeyer
Em uma manhã ensolarada de outubro, o Dr. Fabiano Calleia, pesquisador da Universidade Federal do Amazonas, andava pela floresta de várzea em Manaus observando seu grupo habitual de oito saguis, enquanto esses pequenos macacos escuros de gestos elegantes atacavam os frutos de uma figueira.
De repente, a paz do café da manhã foi quebrada pelo som característico do choro de um filhote de sagui - uma série de assobios curtos e agudos, como o apito de uma chaleira fervendo, que lembra os sons de um código Morse. Um sagui macho subia e descia de uma árvore, tentando em vão localizar a origem do som. O ruído continuou e outros macacos começaram a ficar irritados. Nesse momento, Calleia percebeu espantado que os gritos não eram provenientes de um filhote de sagui, mas de um gato maracajá, que se parece com a jaguatirica, de olhos e patas grandes e apetite por carne de macaco.
O gato maracajá se esgueirou na mata simulando sons de símio e partiu em direção aos saguis. O gato saltou, um macaco sentinela gritou e todo o bando escapou ileso.
Ao retornar ao acampamento, Calleia relatou o episódio ao Dr. Fabio Rohe, responsável pelo programa WCS-Brasil (Wildlife Conservation Society - Brasil) na Amazônia, que imediatamente lembrou o que os habitantes locais haviam dito: o maracajá e outros gatos selvagens caçam imitando os sons de suas presas.
"Eu disse que o som se comparava ao de macacos usando ferramentas! Vamos escrever alguma coisa ", lembrou Rohe em uma entrevista por email. "Assim, logo começamos a escrever!"
Os cientistas publicaram sua descrição da primeira "observação oficial de campo do comportamento de mímica do gato maracajá" na revista “Neotropical Primates” no ano passado, mas só agora o artigo tem circulado entre os pesquisadores de campo.
O relatório é apenas um exemplo de uma série de descobertas recentes de casos de imitação. Este trunfo de puro entretenimento valoriza os originais em que se baseia. A imitação pode ser a forma mais sincera de lisonja, a forma mais grave de agressão ou a estratégia mais estranha de sobrevivência. Se você pensa que não há nada novo acontecendo, você pode estar certo. Mas lembre-se que a imitação é uma máquina de novidades permanente da natureza.
Por exemplo: os cientistas desvendaram que em algumas espécies de formigas a rainha é uma percussionista consumada, munida de um órgão minúsculo e afiado, que toca as fanfarras reais para manter seus trabalhadores na linha. Quem imaginava que a rainha pudesse ser esta caixa de som? Seus parasitas deviam saber com certeza.
Também foram encontradas larvas parasitas de borboletas na colônia, as quais utilizam seus músculos abdominais ou outras partes do corpo para imitar os ruídos da rainha. Um ato de pirataria musical, que induz as formigas operárias a vibrar e regurgitar o alimento diretamente na boca dos parasitas.
Descobriu-se que baratas alemãs de ambos os sexos imitam o cheiro e a sensação de baratas adultas do sexo feminino, enganando os machos adultos, que abrem suas asas e expõem suas reservas escondidas de açúcar de maltose, proteínas e gorduras. Os machos sintetizam as secreções como um presente para cortejar as companheiras, mas as baratas ninfas, com suas mandíbulas doces, evoluíram os meios físicos e químicos de manipulação.
Segundo Coby Schal, professor de entomologia da Universidade Estadual da Carolina do Norte, o mimetismo dentro das espécies é raro na natureza. Recentemente, ele e seus colegas publicaram um artigo no site “Animal Behaviour” sobre uma estratégia que batizaram de assédio na prisão. Ele afirma que "os seres humanos fornecem às baratas o tipo de ecologia artificial que gera comportamentos realmente incomuns.
"Suprimentos irregulares, acesso insuficiente ao solo e ao nitrogênio.Não é de se admirar que as baratas jovens aprendam a trapacear.
Talvez o caso mais notável de mimetismo ocorrido recentemente é o do polvo mímico da Indonésia, com tantos truques de mudança de cor e de forma à sua disposição, que nem oito mãos conseguem segurá-lo.
Um relatório publicado este mês na revista “Biological Journal”, da Linnean Society, apresenta a história da evolução do Thaumoctopus mimicus, um molusco marinho descoberto há apenas doze anos.
Assim como outros polvos, o T.mimicus pode usar seu sistema nervoso para mudar instantaneamente de cor, criando padrões perfeitos de papel de parede. Porém, diferentemente da maioria dos polvos, o mímico opta por se tornar mais visível aos predadores em potencial.
Caso precise aventurar-se em águas perigosas, ele assume um disfarce ameaçador adequado ao contexto. Antes de sair nadando do fundo do mar, o polvo se arrepia e sua pele torna-se listrada, seu corpo e seus tentáculos tomam uma forma espinhosa, fazendo-se parecer com um tóxico peixe leão. Para deslizar pelo fundo do mar, o polvo deixa sua pele bege e esburacada, comprime o corpo, puxa seus membros para o lado: é um linguado, ondulando as barbatanas, olhando para baixo com seus olhos no alto da cabeça.
"Quando é perseguido por um peixe-donzela, ele transforma um de seus tentáculos em uma serpente do mar, seguindo seu padrão e contraste de cores. Além disso, ele incha a ponta do tentáculo para que se pareça com a cabeça da cobra", ilustra o Dr. Healy Hamilton, especialista em biodiversidade e informatização da Academia de Ciências da Califórnia e autor do relatório. "Serpentes do mar são predadores vorazes de peixes-donzela."
As imitações do polvo não são perfeitas, e nem precisam ser. “Se o predador parar por um instante, o polvo pode arremessar sua tinta e se afastar rapidamente”, diz ele.
Nós, humanos, também temos nossas pequenas doses de mimetismo. Ninguém quer ser ridicularizado ostensivamente ou trapaceado. As mímicas físicas, como a dos palhaços, são extremamente populares. No entanto, os psicólogos têm apreciado a profunda importância do mimetismo inconsciente, o qual nos faz sentir amados e valorizados ou simplesmente suavizam nossas tarefas cotidianas.
Sem perceber, quando conversamos com os amigos, combinamos nosso ritmo e tom de voz ao deles, adotamos postura similar e até mesmo imitamos os seus tiques. Estudos têm mostrado que quando os estudantes são instruídos a trabalhar em grupo com alguém que não para de mexer no cabelo ou tremer o pé, em seguida eles começam a reproduzir os mesmos gestos.
Os garçons que repetem os pedidos de seus clientes palavra por palavra ou que imitam sutilmente sua linguagem corporal recebem gorjetas melhores do que os garçons que resumem os pedidos ou desprezam sua fala corporal.
O laboratório do Dr. Rick van Baaren na Universidade de Radboud, na Holanda, descobriu recentemente que, em indivíduos que foram forçados a conviver com alguém instruído a evitar todas as formas de imitação verbal e comportamental os níveis de cortisol aumentaram. Foram necessárias repetidas mímicas para fazer suas taxas hormonais voltarem ao normal."Acredito que o efeito negativo de não ser imitado é até mais forte do que o efeito positivo de ser imitado", explica van Baaren.
A não ser que você seja um gato maracajá e acredite que sou um macaco.
Assinar:
Postagens (Atom)

